Jornada
O diagnóstico
Quando descobri a doença renal crônica.
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Era 2005. Eu tinha apenas 21 anos.
Tinha o casamento marcado, muitos sonhos pela frente e uma vida inteira que parecia estar apenas começando. Trabalhava muito porque, como todo jovem casal que está construindo o futuro, havia planos, conquistas e uma nova história para começar.
Foi justamente nesse período que meu corpo começou a dar sinais de que alguma coisa não estava bem.
Eu sentia enjoos, tinha episódios de vômito, minhas pernas ficavam inchadas e doloridas e minha pressão arterial estava alta. Mas, naquela época, ninguém imaginava que pudesse ser algo tão sério.
Eu era jovem, trabalhava muito, vivia a correria dos preparativos para o casamento... Por isso, durante algum tempo, os sintomas chegaram a ser associados ao cansaço, à ansiedade e até mesmo à TPM.
Só que eles continuavam.
Começou então uma longa investigação em busca de uma resposta.
Até que, durante uma consulta, meu ginecologista decidiu solicitar exames para avaliar minha função renal.
Foi ali que tudo mudou.
Os resultados estavam muito alterados.
De repente, aqueles sintomas que pareciam isolados começaram a fazer sentido. O problema estava nos meus rins — e, quando descobrimos, a doença já estava em um estágio muito avançado.
A doença renal muitas vezes evolui de maneira silenciosa. É possível perder uma parte importante da função dos rins antes que os sintomas se tornem evidentes. Provavelmente, eu já estava doente havia bastante tempo sem saber.
Quando finalmente chegamos ao diagnóstico da insuficiência renal, meus rins já estavam tão comprometidos que nem mesmo uma biópsia pôde ser realizada adequadamente para determinar a origem da doença.
E é por isso que existe uma pergunta para a qual, até hoje, eu não tenho uma resposta definitiva:
O que fez meus rins pararem de funcionar?
Nunca foi possível fechar o diagnóstico da causa exata da perda da minha função renal.
Uma das hipóteses consideradas mais prováveis foi uma glomerulonefrite, possivelmente relacionada a algum processo infeccioso.
Mas o que é glomerulonefrite?
Dentro dos nossos rins existem estruturas microscópicas chamadas glomérulos. Eles funcionam como pequenos filtros, ajudando a retirar do sangue resíduos e excesso de líquidos, enquanto mantêm no organismo substâncias importantes.
A glomerulonefrite acontece quando esses glomérulos sofrem um processo inflamatório e são lesionados.
Dependendo da intensidade e da evolução da doença, os rins podem começar a perder sua capacidade de filtrar adequadamente o sangue. Podem surgir alterações como proteína ou sangue na urina, retenção de líquidos, inchaço, pressão arterial elevada, redução da quantidade de urina e aumento da creatinina.
Entre as possíveis causas estão infecções, doenças autoimunes, vasculites, alterações hereditárias e outras condições relacionadas ao sistema imunológico.
Ela pode surgir de maneira aguda ou evoluir lentamente ao longo dos anos. Em alguns casos, quando essa evolução é silenciosa, a pessoa só percebe que existe um problema quando uma parte significativa da função renal já foi perdida.
Talvez tenha sido exatamente isso que aconteceu comigo.
Não posso afirmar qual foi a causa. Naquele momento, meus rins já estavam comprometidos demais para que tivéssemos essa resposta.
Eu tinha 21 anos, estava prestes a me casar e acreditava que aqueles sintomas eram apenas consequência de uma rotina intensa.
Mas, enquanto eu fazia planos para começar uma nova vida, meu corpo enfrentava silenciosamente uma doença que mudaria completamente a minha história.
Aquele exame não trouxe apenas um diagnóstico.
Ele marcou o começo de uma jornada que eu jamais imaginei que precisaria enfrentar.